17 de dezembro de 2010
10 de novembro de 2009
Fragmentos de um discurso amoroso VIII
Ouço Cássia, Renato, o mar...
Quando já não há o que dizer e os dias ficam vazios
de palavras, de saudades, de pessoas, de coisas que eu guardava
E quando ouço o som das ondas me chamando
Descubro que os círculos que penso
e os que você pensa
não significam nada.
Você tem razão sobre o excesso de explicações e de conceitos
que aprisionam histórias (como a nossa)
e sobre o fato de que um sentimento pode ser apenas um sentimento
que não é preciso,
que não é exato,
que não é pra sempre.
Quando já não há o que dizer e os dias ficam vazios
de palavras, de saudades, de pessoas, de coisas que eu guardava
E quando ouço o som das ondas me chamando
Descubro que os círculos que penso
e os que você pensa
não significam nada.
Você tem razão sobre o excesso de explicações e de conceitos
que aprisionam histórias (como a nossa)
e sobre o fato de que um sentimento pode ser apenas um sentimento
que não é preciso,
que não é exato,
que não é pra sempre.
Acho que agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou25 de outubro de 2009
Sobre morrer
Um amigo se foi.
Desliguei o celular e uma tristeza imensa me fez chorar dentro do carro estacionado na porta do banco.
Notícia mais sem sentido essa!!! Porra, não terminamos aquela conversa, cara! Lembra do encontro no supermercado? Eu te contei que tinha agendado a defesa do mestrado, você disse que tinha marcado a cirurgia, me garantiu que ficaria bem. Nos demos longo abraço.
A vida é um instante, um breve pulsar, o tempo de um beijo.
Somos finitos, mesmo que realizemos muito, mesmo que amemos muito, mesmo que tenhamos projetos e sonhos, mesmo que o fim seja injusto.
Alguns crêem na imortalidade. Ficamos além da morte naquilo que criamos, no trabalho, nos filhos que geramos, nas árvores que plantamos, nas canções, nas palavras, nos livros deixados na estante, na memória. Alguns crêem na eternidade.
Mas o fato é que acabamos. A vida se renova, se transforma, é metamorfose. Mas eu e você acabamos.
Desliguei o celular e uma tristeza imensa me fez chorar dentro do carro estacionado na porta do banco.
Notícia mais sem sentido essa!!! Porra, não terminamos aquela conversa, cara! Lembra do encontro no supermercado? Eu te contei que tinha agendado a defesa do mestrado, você disse que tinha marcado a cirurgia, me garantiu que ficaria bem. Nos demos longo abraço.
A vida é um instante, um breve pulsar, o tempo de um beijo.
Somos finitos, mesmo que realizemos muito, mesmo que amemos muito, mesmo que tenhamos projetos e sonhos, mesmo que o fim seja injusto.
Alguns crêem na imortalidade. Ficamos além da morte naquilo que criamos, no trabalho, nos filhos que geramos, nas árvores que plantamos, nas canções, nas palavras, nos livros deixados na estante, na memória. Alguns crêem na eternidade.
Mas o fato é que acabamos. A vida se renova, se transforma, é metamorfose. Mas eu e você acabamos.
22 de setembro de 2009
Saudade
Recado de André no orkut: "Aninha, deu um saudadão tão grande de você agora, cheguei a visitar alguns momentos nossos lá no passado!"
Saudade é melancolia que surge da lembrança. É dor de estar só depois da separação. Quem sofre é quem vai? É quem fica? A palavra vem do latim, "solitas, solitatis", solidão. Parece ter surgido na época dos descobrimentos e expedições marítimas lusitanas, quando os portugueses precisavam expressar o que sentiam longe de suas raizes.
Você se lembra, André, quando eu te disse que nem o mais demorado abraço esgotaria esse vazio que você deixava em mim? Eu sentia saudade de ti até quando estávamos juntos. Quanto mais presente, mais medo de te perder. Quanto mais ausente, mais presente na saudade.
14 de setembro de 2009
Depois do parto, as boas sementes
Rosa Luxemburgo queria produzir filhos e não somente idéias. Não conseguiu. Eu fiz filhos e gosto de gerar idéias. Por isso escrevo. No final, o processo é o mesmo. Sentir crescer em nosso interior, dar forma, alimentar, cuidar... e depois deixar ir.
Parir é aprender sobre partir.
Terminada minha pesquisa, volto pra casa. Mas ao deixar os amigos kaiowá percebo que fiz parte de sua história, como fizeram parte da minha. Construímos juntos, à sombra das mangueiras e ao sabor do terere, uma narrativa sobre suas lembranças e seus anseios.
Ouvi dos antigos como aconteciam os rituais do passado e ouvi dos jovens seus sonhos para o futuro. Compreendi que desejam entender o modo de pensar do não-índio e conquistar seu lugar como cidadãos brasileiros, sendo reconhecidos em sua singularidade étnica.
Ouvi das mulheres como se mantêm guardiãs do saber tradicional de seu povo enquanto os maridos estão fora, trabalhando nas usinas ou fazendas. São elas que rezam, contam os mitos, fazem chover, trazem de volta quem se foi, curam doenças, organizam guaxire, cantam e dançam nas noites de festa e mantêm vivos os fundamentos de sua cultura. Cuidam das roças, saem para vender o excedente, acendem o fogo, alimentam os filhos, trabalham como domésticas nas casas da vila, estudam, tornam-se professoras e agentes de saúde e atuam politicamente pelos direitos de sua comunidade.
Ouvi líderes e rezadores que temem perder, ao longo do caminho, as últimas sementes do conhecimento sagrado deixado pelos antepassados. Acreditam que essas sementes, se caírem sobre terra fértil, poderão germinar, crescer, enraizar e frutificar, sustentando, como grandes árvores, aos jovens de hoje. Se, no entanto, caindo em solo árido, as sementes não vingarem, morre com elas a cultura kaiowá.
Em minha pesquisa, também recebi as “boas sementes”, pois, ao escrever sobre o que vi e ouvi, ao falar sobre identidade e metamorfose, coloquei em jogo minha subjetividade e aprendi sobre minha própria humanidade.
Já posso partir.
16 de junho de 2009
Fragmentos de um discurso amoroso VII - TE ENGAVETEI
Te engavetei. Do verbo engavetar, meter em gaveta. Na intimidade da palavra: do latim "gabata", tigela, escudela. Em português passou a designar a caixa sem tampa que enfiamos nas mesas. Em sentido metafórico, é um dos sinônimos para prostituta. A frequência com que uma gaveta é aberta e fechada lembraria o ofício da profissional do sexo. Mas nesta gaveta - esta na qual te engavetei, onde te guardo com o passado - não há mais tempo para sexo, para abrir e fechar as pernas, para fechar os olhos e gozar. Esta gaveta eu tranquei. E a chave... joguei fora. Te encerrei no arquivo de ferro, no baú, na geladeira, na mala, no cofre, na mesa do escritório, no guarda-roupa, na caixa-preta. O tempo flui. Não faz sentido investigar os registros do último vôo. Prossigo novamente, nova mente, mãos vazias, sem lágrimas.
15 de junho de 2009
Fragmentos de um discurso amoroso VI - NÃO GOSTO DE SINAL FECHADO
Eu não gosto de sinal fechado. Eu quero chegar antes. Não corro, ando devagar seguindo as pegadas da utopia. Peço licença.
Eu não gosto do teu “senão”, das condições do teu tempo, das tuas previsões.
Eu não gosto dos dias nublados nem das tuas cores. Prefiro as manhãs douradas. Prefiro as noites quentes.
Eu não conheço tua língua, teus planos, tua lógica.
Não trafego no teu curso.
Desprezo tuas mentiras. Brinco com tuas verdades. Não creio nos teus planos.
Não entendo teus sinais, não escuto bem tua voz. O que você disse mesmo? O que?
Ouço ruídos que vêm de dentro.
Ouço aquela música e a minha voz.
Não preciso de lentes de aumento. Meus monstros são grandes. Meus medos me apavoram. Meus fantasmas me assustam no fim do corredor. E por isso não gosto do escuro.
Contemplo meus sonhos à meia luz. Abro as janelas pra lua entrar.
Não tenho nada a esclarecer.
Não vejo tudo de você.
Não sei dos outros.
Pergunto de mim.
Não sei onde é o começo, nunca cheguei ao fim.
Eu não gosto de sinal fechado.
Eu não gosto do teu “senão”, das condições do teu tempo, das tuas previsões.
Eu não gosto dos dias nublados nem das tuas cores. Prefiro as manhãs douradas. Prefiro as noites quentes.
Eu não conheço tua língua, teus planos, tua lógica.
Não trafego no teu curso.
Desprezo tuas mentiras. Brinco com tuas verdades. Não creio nos teus planos.
Não entendo teus sinais, não escuto bem tua voz. O que você disse mesmo? O que?
Ouço ruídos que vêm de dentro.
Ouço aquela música e a minha voz.
Não preciso de lentes de aumento. Meus monstros são grandes. Meus medos me apavoram. Meus fantasmas me assustam no fim do corredor. E por isso não gosto do escuro.
Contemplo meus sonhos à meia luz. Abro as janelas pra lua entrar.
Não tenho nada a esclarecer.
Não vejo tudo de você.
Não sei dos outros.
Pergunto de mim.
Não sei onde é o começo, nunca cheguei ao fim.
Eu não gosto de sinal fechado.
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